Ja Blogas

2004-10-28

De onde vêm os adultos ?

Tantas vezes ouvi: " De onde vêm as crianças ?" mas será que algum dia alguém se questionou sobre " de onde vêm os adultos ? " Bom, eu já !! Tanto é que aqui estou a escrever, e apesar de não ser propriamente uma criança, sou ainda um pouco, aquele pouco que todos temos em nós, uns mais que outros, mas sempre existe por escasso que seja. É talvez por aqui que inicio a divagação, é talvez aqui que tento perceber um pouco desse planeta chato que é o adulto, é um mundo onde tudo é sério tudo é tão racional... para um adulto eu nunca irei ser um adulto, porque ele será sempre mais do que eu. Só seremos adultos, quando perdermos a criança que guardavamos em nós, por mais profundo que esteja guardado esse tesouro, e o entregamos para que alguém seja por nós. O sonho é o pouquinho do tesouro que conseguimos guardar, sonhar é olhar para o futuro com aqueles olhos de quem vê o mundo pela primeira vez, e ainda acredita que é possivel, com aqueles olhos que brilham por ver uma flor a nascer, por ver uma ave a gozar a sua liberdade, por ver uma simples folha de outono a cair. Ser adulto, é ser uma folha de outono...

v

2004-10-24

Um robô chamado Jorge


Jorge era um menino - perdão - um robô, que desconhecendo toda a sua natureza, se julgava igual aos seus amigos de carne e osso. A sua "nascença" fora inflingida pelas limitações de uma indústria cega e gananciosa e por isso estava condenado. "Made in China", Jorge nasceu pela mão do ser humano e estava prestes a desvendar a sua origem: era um instrumento, uma máquina, um ser calculado e calculante sob um disfarce de rapaz.

Disseram-lhe "Jorge, és um robô". Com um sorriso estranho nos lábios próprio de quem não faz ideia do que se passa, quis saber o que isso era. "O que raio era um robô?" - foi descobrir que, pela definição, é uma máquina lógica com feições agradáveis criado para satisfazer e não para ser satisfeito. Era o seu propósito. Com o inevitável choque, uma chuva de perguntas iam caindo para cima dele à medida que lia mais e mais. "Será que fui programado para servir? Será que fui programado para sentir, rir, chorar? Será que este choque foi em tempos planeado, estudado, analisado e é apenas uma inevitável reacção a uma igualmente inevitável situação? Será que fui feito para estar agora triste? O que é estar triste? Será que é uma equipa de circuitos combinados entre si que juntos me fazem sentir o que sinto?".

Pensamento genuíno ou fruto de construção? Jorge ficou sem saber, tudo aquilo que já sonhou, falou sentiu era pura ilusão? E os meninos que jogavam à bola, teriam eles estas perguntas? Jorge desligou-se, para não entender mais nem entender menos. Imaginando-se menos genuíno que os meninos "de verdade", menos verdadeiro e com menos direito a viver. Foi ele um robô com horas marcadas para pensar e sonhar.

E nós, somos genuínos ou robôs ingénuos?
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2004-10-23

Procurado

Fugiu de seu corpo, um indivíduo, que alegadamente não se encontrava bem. Ninguém sabia à excepção dele próprio. As autoridades competentes estão agora no encalço da sua essência - sua alma - mas ainda sem sucesso. A maior dificuldade está em encontrar a razão da fuga. Não se sabe se ele estava bem, se estava mal, se fugiu por fugir. Antes uma pessoa feliz, agora uma casca sem dono. Por aí perdido à espera de ser encontrado, ele é uma alma ambulante sem destino. Só precisa de um outro corpo que lhe dê abrigo, mas todas as portas se fecham à sua passagem.

Este é um mundo cheio de gente, com instrumentos que foram feitos para aproximar pessoas, mas no entanto ele sentiu-se sozinho. Podia estar no meio de um alvoroço numa qualquer avenida citadina, mas sentia-se ignorado. Quem passava por ele fazia todos os esforços para disfarçar um desvio de olhar - para quê olhar para ele? Ele não é ninguém! - é sempre mais fácil desprezar.

Sem refúgio e sozinho, ele era um ninguém que apenas quis ser alguém.

s

2004-10-01

Escrever por Escrever ou para alguém ??

Questiona-se a utilidade do chamado blog, mas o que é isso ao certo ? Em que consiste um blog ?Não poderia começar este, sem sequer me questionar, ou pelo menos vos ajudar a questionarem-se sobre isso, sim por vezes não somos capazes sequer de lançar uma pergunta a nós mesmos, alguém tem que nos acordar para tal...
Bem há quem diga " é um diário digital " ou " é um meio de exteriorizar o nosso pensamento " ou " é uma máscara " ou " é onde se dizem babuzeiras, se escreve péssimamente mal e não se aprende nada !!! ", bem opiniões são assim, e só temos que respeitar. Eu concordo contudo que o blog pode ser uma máscara, já que a minha identidade ainda que "conhecida" é uma incógnita :) talvez isso seja um bom motivo para me tentares conhecer, e talvez isso seja um bom motivo para continuares a ler este "diário digital".
Ainda há quem escreva o seu próprio diário, alguns nos livros com a chavinha, todos se recordam disso, e todos sabem da sua existência, todos já tiveram um, ainda que não o tenham usado, mas negam a sua existência " EU ? Que coisa mais gay... nunca tive nada disso " humm talvez possa ferir a masculinidade de alguns admitir que já um dia tentaram escrever um diário, pronto ainda que não tenham usado o tal livrinho com a chave, contudo hoje, escrever um blog não é sinónimo de falta de virilidade, pode até pelo contrário demonstrar muita coragem. Então porque será que o faziamos quando "isto" não era digital?

v