Ja Blogas

2004-10-24

Um robô chamado Jorge


Jorge era um menino - perdão - um robô, que desconhecendo toda a sua natureza, se julgava igual aos seus amigos de carne e osso. A sua "nascença" fora inflingida pelas limitações de uma indústria cega e gananciosa e por isso estava condenado. "Made in China", Jorge nasceu pela mão do ser humano e estava prestes a desvendar a sua origem: era um instrumento, uma máquina, um ser calculado e calculante sob um disfarce de rapaz.

Disseram-lhe "Jorge, és um robô". Com um sorriso estranho nos lábios próprio de quem não faz ideia do que se passa, quis saber o que isso era. "O que raio era um robô?" - foi descobrir que, pela definição, é uma máquina lógica com feições agradáveis criado para satisfazer e não para ser satisfeito. Era o seu propósito. Com o inevitável choque, uma chuva de perguntas iam caindo para cima dele à medida que lia mais e mais. "Será que fui programado para servir? Será que fui programado para sentir, rir, chorar? Será que este choque foi em tempos planeado, estudado, analisado e é apenas uma inevitável reacção a uma igualmente inevitável situação? Será que fui feito para estar agora triste? O que é estar triste? Será que é uma equipa de circuitos combinados entre si que juntos me fazem sentir o que sinto?".

Pensamento genuíno ou fruto de construção? Jorge ficou sem saber, tudo aquilo que já sonhou, falou sentiu era pura ilusão? E os meninos que jogavam à bola, teriam eles estas perguntas? Jorge desligou-se, para não entender mais nem entender menos. Imaginando-se menos genuíno que os meninos "de verdade", menos verdadeiro e com menos direito a viver. Foi ele um robô com horas marcadas para pensar e sonhar.

E nós, somos genuínos ou robôs ingénuos?
s

2 Comments:

  • Sim senhor, aí está uma boa questão que muitas vezes passa ao lado. Diria que é mesmo mais pertinente que de onde virão as crianças.

    Gostei!

    By Blogger Pires, at 4:31 p.m.  

  • Ups, enganei-me queria comentar outro artigo:S

    By Blogger Pires, at 4:32 p.m.  

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