Ja Blogas

2004-12-20

Sons e silêncios...

Sim devemos escrever no blog por nossa conta, devemos ser originais no que escrevemos, e devemos sempre partilhar o que é nosso e não o dos outros, mas sinto-me obrigado perante tal beleza de escrita de repartir convosco algo que li e obviamente gostei... o nome: Pedro Abrunhosa...


“A música é a mágica fronteira que nos une. É o território infinito de sons e silêncios. Às vezes é o deserto, às vezes um frenético rio que palpita veloz por entre as margens das nossas mãos. Este disco é uma gota de espuma que me ficou esquecida nos dedos. Ele só foi possível porque tu o fizeste. Contigo cantei, cresci e aprendi.

Trago na memória o perfume distante dos concertos que levei pelo país e onde deixei sempre um pouco de mim. Contigo descobri o pulsar do meu coração, a luz das palavras, o mistério dos sons e olhares que tantas vezes cantamos e onde tudo fica por dizer. Ardendo no desejo e sorrindo de cumplicidade. (...). Hoje conheço-te, como se pode conhecer alguém que chora as mesmas lágrimas que nós.

Este disco não é mais do que a única forma que tenho de te dar tudo aquilo que me deste. Feito não pelas minhas mãos mas pela tua vontade, loucura e solidão. Pelo teu silêncio, pelo teu respeito.

Se te sentires presente em algum compasso, acorde ou palavras que aqui te trago, é porque és tu de quem falo em tais momentos.Agarra as rédeas deste cavalo que cavalga selvagem e se bate livre dentro de mim. Procura-me por entre as vagas melodias das canções, ou nos concertos em que o palco é o céu e o chão a maré. As vossas vozes são ondas revoltas que dirigem o oceano, os meus acordes os barcos que nele derivam. Vocês são os anjos que habitam anónimos os versos que escrevo. Agradecer é pouco.

Que a Música esteja sempre convosco.

2004-12-05

Receita para a gargalhada

"Por que te ris?" - pergunta o Vítor para o seu amigo Tiago. Este responde "Porque sim."

É para mim um dos maiores mistérios a origem do humor, esta abstração que partilha as primeiras letras da sua palavra com humano. Nunca vou realmente conseguir explicar a mim mesmo o porquê do meu sorriso sarcástico quando sou o único na loja mas no entanto a empregada insiste para que tire o meu número, nem nunca vou conseguir decifrar o que me leva ao desejo de soltar uma gargalhada nos momentos mais inoportunos. Às vezes penso que talvez seja um escape, aos automatismos, à diferença entre nós e as máquinas, entre o hoje e o amanhã.
É o humor que distingue o que foi ontem e o que é hoje, sem o humor não serão os dias todos iguais?
Encontro uma parte de mim sempre que me rio com isto e com aquilo, a faceta mais forte do ser humano.
Mas talvez mais forte que o porquê, o como?
Como olho para uma situação que ocorre centenas de vezes ao dia e me rio.O careca desengonçado tropeça, contudo não fico triste. Indago a razão - "Será que preciso de me rir?" - posso muito bem ignorar e continuar com a minha vida. Vejo o mesmo careca levantando-se sem um arranhão mas rindo-se como um perdido, e eu a pensar que ele também não precisava de se rir, podia levantar-se e ir-se embora.
Quando souber a receita para a gargalhada vou ser muito infeliz.
Quando nos retirarem o humor, retiram-nos a essência, seremos muito mais fáceis de classificar.


Enquanto isso não acontece, eu sou diferente de ti e tu de mim.

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